Masp - continuação
MASP - Um museu no país das idéias audazes
Respondendo a acusações de colocar obras falsas no museu, Bardi viajou com todo o acervo expondo nas instituições de mais prestígio em toda a Europa: Louvre de Paris, Palais de Beaux-Arts de Bruxelas, Central Museum em Utrecht, Tate Gallery de Londres e Palazzo Reale de Milão. A coleção volta ao Brasil em 1957 e é apresentada no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro em mostra inaugurada pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Calam-se os questionadores da legitimidade das obras.

A arte brasileira, fartamente representada no acervo, abriga o museu por meio das telas de Portinari, Di Cavalcanti, Anita Malfatti etc. Nas inúmeras ocasiões em que esteve em viagem para comprar as obras, ficava a cargo de Lina a direção do museu. Do único andar que ocupava no início, o acervo expandiu-se para um segundo e, posteriormente, um terceiro andar. Viu-se que era preciso pensar num local mais amplo que abrigasse o "museu vivo", realidade com que Bardi houvera sonhado.


MASP na Avenida Paulista: a arquitetura da liberdade

Em 1990, o prédio passou por uma reforma em que foi feita sua impermeabilização. As vigas foram pintadas de vermelho, o que marcou ainda mais a arquitetura do imóvel.

Além dos cursos, algumas das mostras que estiveram no museu sob comando de Bardi foram o Expressionismo Alemão, O Ouro da Colômbia, Pablo Picasso, Gaudí, Miró, Tesouros do Kremlin, Pintura Italiana do Após-Guerra aos nossos dias, Sebastião Salgado e Albert Eckhout e seu Tempo.

Depois de deixar a direção do MASP em 1992, Bardi assume o cargo de Presidente de Honra. Vale lembrar que o marchand jamais recebeu por seu trabalho no museu. Segundo ele próprio, dedicou sua vida ao MASP e sobreviveu graças à sua atividade de antiquário e negociador de arte.

Pietro Maria Bardi encerra a colaboração ao MASP, seu sonho vivo, com a doação da pintura Nossa Senhora no Trono com Jesus e Anjos, de Maestro Del Bigallo, século XIII. A obra era do acervo pessoal de Lina e do "Professor" e foi doada ao MASP em 1991, por ocasião do centenário de Assis Chateaubriand.
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P.M. Bardi, cerca de 1986
Foto de Fausto Giaccone