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Sede
do Instituto Lina Bo Bardi e P. M. Bardi e antiga residência dessa
arquiteta com seu marido Pietro Maria Bardi, a Casa de Vidro,
como ficou popularmente conhecida, vai ser inscrita no Livro do
Tombo das Belas Artes, considerando o valor arquitetônico do imóvel.
A
solicitação de tombamento foi feita pelo arquiteto André Vainer,
antigo conselheiro e colaborador do Instituto. A respeito da casa,
situada em grande terreno de Mata Atlântica no Bairro do Morumbi,
zona Sul da cidade de São Paulo, Vainer argumenta seu pedido:
“Projetada por Lina em 1950 e construída em 1951, a casa, aberta
para a paisagem e franqueada para o olhar do entorno, foi durante
muitos anos um farol da exuberância intelectual dos habitantes
e freqüentadores daquela delicada construção”.
A
moderna Casa de Vidro já é patrimônio estadual paulista, tombada,
em 1986, pelo CONDEPHAAT - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico,
Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo. Agora,
a casa que foi o primeiro projeto integralmente construído de
Lina Bo Bardi, obteve o reconhecimento pelo Iphan da importância
da arquiteta para a história da arquitetura moderna brasileira.
Histórico
A
Casa de Vidro foi a primeira residência construída no Bairro Morumbi.
Na época, início da década de 1950, a capital paulista ainda dava
os primeiros passos na ocupação da outra margem do Rio Pinheiros.
Conforme
consta no parecer do técnico do Instituto do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional - Iphan, Luiz Fernando Franco, “sua singularidade
estaria na modernidade da relação com o ambiente e na inserção
na paisagem”. Cercada de mata, nela a natureza é elemento participante
da arquitetura, daí a intenção manifesta da arquiteta de suspender
a casa, conservando o perfil natural do terreno. A casa possui
sua estrutura vertical constituída por tubos de aço, com as lajes
e demais componentes estruturais realizado em concreto armado.
Segundo
informações do Instituto Bardi, todo o terreno onde a casa está
construída é hoje totalmente ocupado por vegetação de mata atlântica.
Um paisagismo com caminhos sinuosos percorre o terreno sob a vegetação.
Com a sua delgada estrutura e a transparência da vedação do salão
a Casa permite uma continuidade visual completa com a paisagem,
tema explorado pela arquiteta nas fotos de divulgação da obra
em 1951.
A
Casa de Vidro foi o primeiro projeto de arquitetura de Lina Bo
Bardi totalmente construído. Na Itália, ela havia trabalhado como
ilustradora de jornais e revistas e como editora (dirigiu a revista
Domus entre 1942 e 1943), mas nada pode construir, pois “durante
a guerra só se destruía”, dizia ela. No Brasil, desde sua chegada,
em 1946, a arquiteta só havia projetado móveis e algumas reformas,
como a da primeira sede do Museu de Artes de São Paulo - MASP.
Ela concebeu sua residência para receber pessoas, uma “open house”,
como disse inúmeras vezes.
O
extenso arquivo da família Bardi, que a casa abriga, conta com
cerca de 10 mil itens, divididos em 147 projetos e 15 mil registros
fotográficos. Além de desenhos do projeto arquitetônico, na sua
forma técnica, o acervo ilustrações, cenografias, trajes, jóias,
expo grafia e mobiliários.
Ao
longo dos dez últimos anos, esse material passou por três prévias
catalogações que permitiram com recursos próprios à instituição,
fazer o levantamento de 1.500 desenhos, bem como medidas prévias
de conservação e adequação ao espaço. Há previsão que esse acervo
seja tombado posteriormente, quando concluído o inventário pelo
Instituto Bardi.
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