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| Biografia |
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Lina: da Itália para o Brasil |
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"O
Brasil é meu país duas vezes!"
Achillina
Bo nasce em Roma a 5 de dezembro de 1914. Forma-se na Faculdade
de Arquitetura da Universidade de Roma e, já tendo iniciado
sua vida profissional, muda-se para Milão, onde começa
a trabalhar no escritório do arquiteto Giò Ponti,
diretor da Triennale di Milano e da Revista "Domus".
Durante a II Guerra Mundial, já em seu escritório
próprio, a escassez de trabalho leva Lina a atuar como ilustradora
e colaboradora de jornais e revistas como "Stile",
"Tempo", "Grazia", "Vetrina"
e "l'Illustrazione Italiana", além de
editar a coleção "Quaderni di Domus".
No dia 13 de agosto de 1943 um grande bombardeio é lançado
sobre Milão e destrói o escritório de Lina.
Ela então entra para o Partido Comunista clandestino e o
apartamento de sua família torna-se um ponto de encontro
de artistas e intelectuais italianos.
Com o fim da guerra, Lina viaja pela Itália para fazer uma
reportagem sobre as áreas atingidas pelo conflito. Em Roma,
funda a revista semanal "A - Cultura della Vita",
com Bruno Zevi, e participa do Congresso Nacional pela Reconstrução.
Em 1946, Lina casa-se com Pietro Maria Bardi, cujo sobrenome adota.
Em seguida, o casal viaja para o Brasil. Em recepções,
no Rio de Janeiro, conhecem personalidades como Lúcio Costa,
Oscar Niemeyer, Rocha Miranda, Burle Marx e Assis Chateaubriand
de quem Pietro recebe o convite para fundar e dirigir um museu de
arte no país. Um projeto arquitetônico de Lina abrigará
meses mais tarde o MASP, o museu mais importante da América
Latina.
A arquiteta naturaliza-se brasileira em 1951, oficializando a paixão
pelo país que a acolhera anos antes. A esse respeito, declara:
"Quando a gente nasce, não escolhe nada, nasce por acaso.
Eu não nasci aqui, escolhi esse lugar para viver. Por isso,
o Brasil é meu país duas vezes, é minha 'Pátria
de Escolha', e eu me sinto cidadã de todas as cidades".
Também em 1951 foi concluída a construção
da Casa de Vidro. Erguida em um terreno de 7000 metros quadrados,
foi a primeira residência do bairro do Morumbi e, aos poucos,
foi sendo cercada por mata brasileira. Hoje é uma reserva
tombada com espécies vegetais raras, uma amostra do que foi
a antiga mata atlântica brasileira.
Até a década de 90, Lina manteve intensa atividade
em todas as áreas da cultura, tendo participado de inúmeros
projetos em teatro, arquitetura, cinema e artes plásticas
no Brasil e no exterior. Além de seu trabalho como arquiteta,
merece destaque sua talentosa atuação como designer
de móveis, objetos e jóias, artista plástica,
cenógrafa, curadora e organizadora de diversas exposições
e seu olhar sempre sensível à arte popular brasileira.
Lina morre na Casa de Vidro em dia 20 de março de 1992, realizando
o sonho declarado muitas vezes de trabalhar até o fim: deixa
em andamento os majestosos projetos para a Nova Sede da Prefeitura
de São Paulo e para o Centro de Convivência Vera Cruz.
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Lina
na sala da Casa de Vidro, 1952
Foto de Fernando Albuquerque |
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