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O
que foi dito |
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Da
própria Lina sobre a Arquitetura
"Que se quer significar com o termo Arquitetura? À primeira
vista poderia parecer pacífica sua limitação
à arte do construir e, num sentido ainda mais restrito, à
construção civil; mas arquitetura é quase implicitamente
tudo o que é estrutura e representação, partindo
da estrutura mesma das rochas, do esqueleto, da figura infinitesimal
do átomo até a aparência das esferas que compõem
o sistema planetário. O homem se esforçou, servindo-se
dos meios que a própria natureza lhe oferecia, no sentido
de modificá-la e reorganizá-la, criando pouco a pouco
arquiteturas infinitesimais, que aperfeiçoando-se, foram
instaurando, no mundo, novas arquiteturas, desde a pedra lascada
até o satélite interplanetário, da caverna
ao arranha-céu, do amuleto à Catedral."
Lina Bo Bardi, Contribuição Propedêutica
ao Ensino da Teoria da Arquitetura, 1957
Sobre Lina
"Culta, e portanto desprovida de arrogância, parecia
não ter dúvidas, mas perguntava: seu método
de conhecer e inventar movia-se na refutação e na
contradição, para chegar ao âmago da poesia.
Freqüentemente completava uma explicação científica
perfeita dizendo ter querido apenas fazer uma 'coisa poética'.
Do estudo dos complexos problemas de um projeto à poesia
e ao domínio e incorporação adequada das tecnologias
avançadas, Lina, digo-o sem receio, foi o maior e mais completo
arquiteto brasileiro em seu tempo e insisto no 'brasileiro'. Produziu
alguns dos mais extraordinários fragmentos urbanos deste
século.
Todas as suas poucas obras e desenhos são obras primas, desenvolvidos
ao lado de uma ampla atividade intelectual, reflexões e pesquisas
sobre o Brasil, tão notáveis como a sua arquitetura,
abrangendo gráfica, teatro, cinema, montagens de exposições,
entrevistas, seminários, conferências e, às
vezes, sua simples presença. Uma cadeira desenhada por Lina
é peça de museu. E foram muitas."
Joaquim Guedes, Lembranças de Lina Bo Bardi,
revista Caramelo Nº 4, São Paulo, 1992
"Todo artista é um clone de Deus. Lina trazia em si
essa fagulha divina que faz da criatura, criador, e transforma a
arte na única linguagem capaz de superar os limites do tempo
e do espaço. Ela tinha fome de Absoluto e, por isso, transfigurava
as formas em poema e as figuras em espelhos do belo. Em sua alma
latejava essa intuição profunda de que, em tudo e
em todos, há uma indissociável harmonia, que ela tão
soube descrever por dominar a gramática da estética."
Frei Betto, carta enviada ao Instituto para o documentário
sobre Lina Bo Bardi, 27 de junho de 1993 |
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Lina
Bo Bardi e Pierre Verger, 1987
Foto de Marcelo Ferraz  |
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