LINHA DO TEMPO - LINA BO BARDI
 
1914
(5 de dezembro) Nasce Achillina Bo em Roma, filha de uma família genovesa formada por Enrico e Giovanna, e que se completaria com a irmã mais nova, Graziela.
 
1939
Forma-se na Faculdade de Arquitetura de Roma, com o trabalho de graduação "Núcleo Assistencial da Maternidade e da Infância"
 
1940
Muda-se para Milão e passa a atuar no estúdio "Bo e Pagani", na Via Gesù, 12, com o arquiteto Carlo Pagani.

Colabora até 1943 com Gio Ponti na revista Lo Stile - nella casa e nell'arredamento. Atua também nas revistas Grazia, Bellezza, Vetrina e L'Illustrazione Italiana.
 
1943
Afasta-se de Gio Ponti e torna-se, com Carlo Pagani, vice-diretora de Domus e dos Quaderni di Domus até a suspensão da revista em janeiro de 1945. Os bombardeios de Milão pelos Aliados destroem a cidade, inclusive seu estúdio na Via Gesù. Atua junto a vários intelectuais e arquitetos simpatizantes da Resistência.
 
1945
Participa da fundação da Organização dos Arquitetos Associados, transformada depois no "Movimento Studi Architettura", núcleo milanês de reconstrução racionalista.

Enviada pela Domus, viaja em companhia de Pagani e do fotógrafo Federico Patellani pela Itália, documentando e avaliando a situação do país destruído.

Funda com Pagani e Bruno Zevi a revista semanal 'A' - Attualità, Architettura, Abitazione, Arte, editada em Milão. Colabora no cotidiano Milano Sera, dirigido por Elio Vittorini.

Participa do Primeiro Encontro Nacional para a Reconstrução em Milão, alertando para o desinteresse da opinião pública diante do tema, que a seu ver envolve tanto a reconstrução física quanto a moral do país.
 
1946
 
1947
Assis Chateaubriand convida Pietro para fundar e dirigir um Museu de Arte.
São Paulo é escolhida, apesar da preferência de Lina pelo Rio de Janeiro.

Em 2 de outubro é fundado o Masp - Museu de Arte de São Paulo, instalado provisoriamente no segundo andar da sede dos Diários Associados, na Rua Sete de Abril. Lina projeta a adaptação do edifício para o Museu.

Projeta nova sede para os Diários Associados, na Rua Álvaro de Carvalho, em São Paulo.

Realiza design de jóias com pedras brasileiras.
 
1948
Fundação do Studio de Arte e Arquitetura Palma, reunindo Pietro Maria Bardi, Lina Bo Bardi, Giancarlo Palanti (que permanece na sociedade até 1951) e Valeria Piacentini Cirell (responsável pela seção de antiquário), no 18º andar de um edifício projetado pelo arquiteto polonês Lucjan Korngold (Praça Bráulio Gomes, 66, São Paulo). Em agosto, realiza a exposição "Nós e o Antigo".
 
1950
Funda Habitat - Revista das Artes no Brasil, dirigindo-a até o número 15 (com exceção dos números de 10 a 13, dirigidos por Flávio Motta). Na revista, mantém uma coluna de crônicas sob o pseudônimo Alencastro.

Com a colaboração de Giancarlo Palanti, projeta reformas no edifício dos Diários Associados na Rua Sete de Abril para melhor acomodar o Masp, que passa a ocupar dois andares.
 
1951
Naturaliza-se brasileira: "Quando a gente nasce, não escolhe nada, nasce por acaso. Eu não nasci aqui, escolhi este lugar para viver. Por isso, o Brasil é meu país duas vezes, é minha 'Pátria de Escolha', e eu me sinto cidadã de todas as cidades, desde o Cariri, ao Triângulo Mineiro, às cidades do interior e às da fronteira."

Junto com Pietro Maria Bardi, cria e dirige o Curso de Desenho Industrial no Instituto de Arte Contemporânea (IAC), onde lecionam Jacob Ruchti, Lasar Segall, Eduardo Kneese de Melo, Roberto Burle Marx, Oswaldo Bratke, Rino Levi, Giancarlo Palanti, Elizabeth Nobling, Alcides da Rocha Miranda, Thomas Farkas, Rudolf Klein e Clara Hartoch.

Projeta e constrói sua residência, conhecida como a "Casa de Vidro", no novo bairro paulistano do Morumbi.

Realiza vários projetos não construídos: Edifício Taba Guaianases (com Pier Luigi Nervi), estudos para "Casas Econômicas" e o projeto de um "Museu à beira do oceano", em São Vicente, onde surge o partido transparente adotado anos depois para o projeto do Masp.

Desenvolve o projeto da poltrona Bardi's Bowl. Promove ações para atualizar a moda em São Paulo em relação ao panorama internacional, trazendo palestras e desfiles de coleções de estilistas europeus. Inicia trabalhos com Roberto e Luiza Sambonet para desenvolver uma "Moda Brasileira".

A I Bienal Internacional de São Paulo - montada no Trianon, onde mais tarde viria a ser construído o Masp - premia a obra Unidade Tripartida, do concretista Max Bill.
 
1952
Promove o Primeiro Desfile de Moda Brasileira com tecidos desenvolvidos especialmente para o clima, com padronagens de Sambonet, Burle Marx e Caribé.
 
1955
Começa a atuar como docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, onde permanece até 1957.
 
1957
Redige a tese Contribuição Propedêutica ao Ensino da Teoria da Arquitetura, para o concurso da cátedra de Teoria da Arquitetura, na FAU-USP.

Após a demolição do Trianon, Lina inicia o projeto da segunda sede do Masp para ocupar o seu terreno. A obra viria a ser inaugurada apenas em 1968.

Participa de um concurso para mobiliário em Cantù, Itália. Projeta o consultório médico do Dr. Felloni Mattos em São Paulo e faz estudos para uma "Casa de Praia".
 
1958
Projeta a casa de Valeria Piacentini Cirell em São Paulo.

Vai a Salvador para dar conferências na Escola de Belas Artes da Universidade da Bahia, em abril. Retorna a Salvador em agosto para atuar no Curso de Arquitetura e Urbanismo, junto ao arquiteto Diógenes Rebouças. Lá, projeta a Casa do Chame-Chame e a residência do escultor Mario Cravo, e passa a escrever a página "Crônicas de arte, de história, de costume, de cultura da vida: arquitetura, pintura, escultura,música e artes visuais", no Diário de Notícias de Salvador.
 
1959
Realiza a exposição "Bahia no Ibirapuera", para a V Bienal de São Paulo, com o diretor de teatro Eros Martim Gonçalves, da Escola de Teatro da Universidade da Bahia. É convidada pelo governador da Bahia para dirigir o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA). Projeta o restauro do Solar do Unhão e sua adaptação para sede do museu.
 
1960
Inauguração das instalações provisórias do MAM-BA no foyer do Teatro Castro Alves, em janeiro. Lina realiza, nesse espaço, diversas exposições até 1963, com a assistência de Mario Cravo, transformando o museu em um centro de atividades culturais. O maestro Koellreutter realiza os Seminários Livres de Música, e Walter da Silveira organiza o Clube de Cinema da Bahia. Em novembro estréia a Ópera de três tostões, de Bertolt Brecht, dirigida por Martim Gonçalves, com arquitetura cênica de Lina Bo Bardi, no interior das ruínas do Teatro.
 
1961
Realiza a arquitetura cênica e o figurino da peça Calígula, de Albert Camus, também sob direção de Martim Gonçalves.
 
1962
Continua a promover exposições no MAM-BA, idealizando a Bienal Nacional de Artes, nunca realizada. Projeta o Conjunto das Artes, em São Paulo, que abrigaria teatro e ateliês de artistas.
 
1963
Após a conclusão do restauro do Solar do Unhão, Lina transfere para lá o MAM-BA. Funda o Museu de Arte Popular do Unhão, inaugurado com a exposição "Nordeste". Planeja criar junto a estes museus o Centro de Estudos e Trabalho Artesanal e a Escola de Desenho Industrial. Realiza estudos para o Museu do Mármore em Monte Altíssimo, em Carrara, na Itália.
 
1965
Realiza estudos para três projetos não construídos: um museu para o Instituto Butantã, um pavilhão de exposições no Parque Lage, no Rio de Janeiro, e um dos seus raros estudos de urbanização, uma proposta para a praia de Itamambuca, em Ubatuba.
 
1966
Retoma o acompanhamento das obras do Masp na Avenida Paulista, desenvolvendo adaptações e detalhamentos do projeto.
 
1967
Faz o projeto gráfico da revista Mirante das Artes, editada por Pietro Maria Bardi
 
1968
Inaugurado o Masp na Avenida Paulista. Lina realiza a arquitetura cênica do filme A Compadecida, dirigida por George Jonas.
 
1969
Lina inicia sua colaboração com o diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa, realizando a arquitetura cênica e o figurino da peça Na Selva das Cidades. Realiza no Masp a exposição "A Mão do Povo Brasileiro".
 
1970
Lina realiza a direção de arte e a arquitetura cênica do filme Prata Palomares, dirigido por André Farias e José Celso Martinez Corrêa.
 
1972
Realiza a arquitetura cênica da peça Gracias, Señor, do grupo Oficina, no Teatro Tereza Rachel, Rio de Janeiro.
 
1975
Lina monta com o pintor Edmar José de Almeida a exposição "Repassos", no Masp, sobre o trabalho das tecedeiras do Triângulo Mineiro. A comunicação visual e o filme super-8 são de Flávio Império. Estudos do projeto Camurupim, para uma comunidade cooperativa em Propriá, Sergipe.
 
1976
Lina projeta a Igreja Espírito Santo do Cerrado, Uberlândia, iniciando a colaboração de André Vainer e Marcelo Ferraz. A obra seria concluída apenas em 1982.
 
1977
Lina projeta a Fábrica de Perfumes Rastro em Santana de Parnaíba (SP), não construída. Inicia o projeto do Centro de Lazer Sesc - Fábrica Pompéia, com Vainer e Ferraz.
 
1978
Em parceria com Vainer e Ferraz, Lina projeta a Capela Santa Maria dos Anjos, em Vargem Grande Paulista.
 
1980
Lina inicia os estudos para o Teatro Oficina, primeiro com Marcelo Suzuki (até 1984) e depois com Edson Elito.
 
1981
Lina inicia os estudos para o Teatro Oficina, primeiro com Marcelo Suzuki (até 1984) e depois com Edson Elito.
 
1982
Lina participa do concurso para o Vale do Anhangabaú com o projeto Anhangabaú Tobogã. Também com Vainer e Ferraz realiza o projeto das novas instalações do MAM SP sob a marquise do Ibirapuera. Nesse ano, são inauguradas a Igreja Espírito Santo do Cerrado e a primeira fase do Centro de Lazer Sesc - Fábrica Pompéia. Inicia o projeto da segunda etapa dessa obra, destinada a abrigar o centro esportivo.

Organiza as exposições "Design no Brasil - História e Realidade" e "O Belo e o Direito ao Feio", ambas no Sesc - Fábrica Pompéia.
 
1983
Lina organiza a exposição "Mil Brinquedos para a Criança Brasileira", que permanece no Sesc - Fábrica Pompéia entre dezembro de 1982 e julho de 1983.
 
1984
Lina organiza a exposição "Caipiras, capiaus: Pau-a-Pique", no Sesc - Fábrica Pompéia.
 
1985
Lina organiza a exposição "Entreato para Crianças", no Sesc - Fábrica Pompéia. Realiza a arquitetura cênica e figurinos para a peça Ubu - Pholias Physicas, Pataphysicas e Musicaes, de Alfred Jarry e dirigida por Cacá Rosset, com o Grupo Ornitorrinco.
 
1986
Inauguração da segunda etapa do Sesc - Fábrica Pompéia, o Centro Esportivo. Junto com Vainer, Ferraz e Suzuki inicia o projeto de restauro do Teatro Politheama de Jundiaí (concluído apenas em 1995) e o projeto de Teatro e Bar no Morro da Urca, Rio de Janeiro. Projeta e constrói a Casinha, seu próprio estúdio, no terreno da Casa de Vidro.

Lina é convidada pela Prefeitura de Salvador para realizar um conjunto de novos projetos na cidade. Realiza com Ferraz e Suzuki o Plano de Recuperação do Centro Histórico de Salvador, não implementado no seu conjunto, mas que teve algumas das obras pontuais levadas a cabo. As primeiras delas foram o Belvedere da Sé e o Teatro da Fundação Gregório de Mattos. Com Ferraz, Suzuki e Vainer realiza estudos para o projeto da equipe de Joaquim Guedes para o concurso de Bicocca (Milão).
 
1987
Continuidade dos trabalhos em Salvador com o projeto da Casa do Benin na Bahia e do conjunto da Ladeira da Misericórdia, constituído pelo Restaurante do Coati, pelo Bar dos Três Arcos e pelas Casas Um, Três e Sete (concluídos apenas em 1990). Além da colaboração de Ferraz e Suzuki, estes projetos tiveram a participação de João Filgueiras Lima (Lelé).

A fotógrafa Anna Mariani publica o livro Pinturas e platibandas, reunindo 220 fotos de fachadas de casas populares nordestinas, com comentários de Ariano Suassuna e Lina Bo Bardi.
 
1988
Projeta a Casa do Olodum em Salvador (concluída em 1991) e o Centro Comunitário da LBA em Cananéia, com Ferraz e Suzuki. Organiza com Pierre Verger a exposição "África Negra", no Masp, e participa do concurso do Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Projeta a Grande Vaca Mecânica, equipamento expositivo não construído.
 
1989
Realiza seu último projeto para Salvador - a Fundação Pierre Verger -, a Casa do Brasil no Benin e o Teatro das Ruínas, em uma fazenda em Campinas, todos em parceria com Ferraz e Suzuki e não construídos.
 
1990
Projeta para a Unicamp o Centro de Convivência na antiga Estação Guanabara, em Campinas, SP (com Ferraz e Suzuki, não construído). Com Vainer, Ferraz e Suzuki inicia o projeto da Nova Prefeitura de São Paulo, composto pelo restauro do Palácio das Indústrias e pela construção de um novo edifício substituindo um dos viadutos no Parque Dom Pedro II. A transferência da Prefeitura para o Palácio restaurado foi concluída em 1992, mas a demolição do viaduto e a construção do novo edifício nunca se efetivaram.
 
1991
Realiza seus últimos projetos: uma proposta para o concurso de projeto para o Pavilhão do Brasil na Exposição Universal de Sevilha (com Vainer, Ferraz, Suzuki e Fanucchi) e o Centro Cultural Vera Cruz, uma conversão dos pavilhões desativados da antiga empresa de cinema em São Bernardo do Campo, São Paulo (com Vainer, Ferraz e Suzuki).
 
1992
Lina morre em 20 de março na Casa de Vidro.
 

 

 

 

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